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Demanda por whey pressiona oferta de soro de leite e abre espaço para proteína de soja

Demanda por whey pressiona oferta de soro de leite e abre espaço para proteína de soja

O aumento da demanda por whey protein para consumo humano tem reduzido a disponibilidade de soro de leite para a nutrição animal e elevado os custos do setor. Nesse ambiente, o concentrado proteico de soja (SPC) ganha espaço: pode ampliar sua participação em formulações que já utilizam o ingrediente e entrar em produtos que ainda dependem de fontes proteicas lácteas. Dados da consultoria StoneX mostram que o preço do whey protein concentrado (WPC 80) subiu entre 90% e 105% nos últimos 12 meses.

A valorização está ligada à maior procura da indústria de suplementos e alimentos proteicos. Com uma parcela crescente do soro destinada ao consumo humano, a oferta para fabricantes de rações diminuiu.

“O mercado de alimentação animal passou a disputar o soro de leite com segmentos dispostos a pagar mais pela matéria-prima. Para as empresas que já trabalham com SPC, o momento favorece uma participação maior do ingrediente nas formulações. Para aquelas que ainda não o utilizam, a menor disponibilidade do soro abre espaço para avaliar essa alternativa”, afirma Bruno Wernick, gerente técnico de vendas da Rio Pardo Proteína Vegetal.

Médico-veterinário com mais de 30 anos de experiência em nutrição animal, Wernick explica que o SPC pode ser usado em dietas que garantam alto nível de digestão, principalmente nas fases iniciais de desenvolvimento. “Em rações pré-iniciais e iniciais para leitões recém-desmamados, o SPC, pela sua alta digestibilidade e baixíssimo conteúdo de fatores antinutricionais, pode substituir parcialmente o leite desnatado, o soro de leite em pó e a farinha de peixe. Também atende às necessidades nutricionais de bezerros de até sete semanas, fase em que o sistema digestivo ainda se aproxima mais do padrão dos monogástricos do que do dos ruminantes. O concentrado ainda pode compor rações para pintinhos, cães, gatos, peixes e camarões”, afirma.

A Quimtia, multinacional que produz rações e premixes para bovinos, suínos, aves, organismos aquáticos, animais de companhia e de zoológico, está entre as empresas que avaliam o ingrediente. A companhia testará o RPSOY C75, produzido pela Rio Pardo, como substituto do soro de leite em alguns produtos.

Segundo Betina Odebrecht, compradora da Quimtia, a procura por alternativas decorre tanto da oferta irregular quanto da oscilação dos preços dos derivados lácteos. “Há uma pressão importante sobre a disponibilidade de soro de leite e concentrados proteicos de soro. A principal causa é o forte crescimento da demanda dos mercados de suplementos esportivos e alimentos proteicos. O soro ganhou valor comercial para uso em alimentos, bebidas, suplementos e nutrição animal, o que elevou os preços”, afirma.

A dependência de importações também aumentou. De acordo com Betina, Goiás importou 374,4 toneladas de soro de leite no primeiro semestre deste ano, volume 17,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O produto, vindo principalmente da Argentina, respondeu por 87,2% das compras de lácteos do estado. “O mercado oferece poucas alternativas, e a nutrição animal exige padrões rigorosos de qualidade e composição nutricional, com certificação de toda a cadeia, sobretudo no caso dos ingredientes de origem animal. Isso aumenta o interesse pelos concentrados vegetais. A adaptação da indústria ainda é gradual, enquanto a concorrência com a nutrição humana se intensifica”, acrescenta Betina.

A queda da produção leiteira na Europa agrava a pressão sobre a oferta. Wernick relata que um distribuidor da Rio Pardo na Holanda identificou uma alta expressiva no preço de suplementos de whey vendidos ao consumidor. Embalagens de 900 gramas que custavam, em média, US$ 7 — cerca de R$ 35 — passaram a ser comercializadas por aproximadamente 16 euros, ou R$ 95.

Diante desse movimento, a Rio Pardo ampliou sua linha de concentrados proteicos de soja. Em agosto, durante o Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), a empresa apresentou o RPSOY C100 e o RPSOY C75, destinados a aplicações específicas em nutrição animal. O portfólio também inclui os concentrados RPSOY 700 e 180.

Os produtos são fabricados por meio de um processo patenteado no Brasil, na União Europeia, nos Estados Unidos, no Japão, no Chile e no Canadá. Estudos conduzidos pela Aquadvise, no Chile, pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e pela Unesp apontaram índices de digestibilidade superiores a 98% em salmões, 94,32% em suínos e 83,7% em aves.

A empresa atende o mercado brasileiro e exporta para mais de 27 países. O RPSOY C100 e o RPSOY C75 também são destinados a fabricantes europeus de sucedâneos lácteos. “As formulações têm granulometria específica para a alimentação de bezerros destinados à produção de vitelo branco e de bezerras que serão futuras vacas leiteiras de alta produção. Também podem ser usadas em papinhas para leitões durante a fase de maternidade”, conclui Wernick

Sobre a Rio Pardo

A Rio Pardo Proteína Vegetal foi fundada em 2017 com proposito de produzir o melhor concentrado proteico de soja. Desde nossa fundação, trabalhamos intensamente para oferecer sempre o melhor produto. Investindo continuamente em pesquisas e desenvolvimento dos seus processos de produção, que resulta em um produto bem diferente dos convencionais, com alto rendimento e economia de energia, sendo uma referência na produção de concentrado proteico de soja de alta digestibilidade. Tendo a soja como matéria-prima, a empresa também fabrica óleo vegetal semirrefinado de altíssima qualidade além de melaço de soja e casquinha. Com escritório comercial em Campinas (SP), sede administrativa/financeira em Joinville (SC) e unidade industrial em Sidrolândia (MS. Atualmente, além de atender ao mercado interno, a Rio Pardo exporta para mais de 23 países.